Imprimir esta página

O quinto filme da saga "Toy Story", que acaba de chegar aos cinemas em Portugal, traz consigo uma reflexão profunda sobre a forma como as crianças interagem com o mundo. Neste novo capítulo, personagens icónicas como Woody e Buzz Lightyear enfrentam um desafio inédito: a concorrência de um tablet que monopoliza a atenção da pequena Bonnie. Esta disputa ficcional entre o universo físico e o digital ilustra na perfeição uma tendência real que a Kaspersky tem vindo a monitorizar com atenção: o crescimento acelerado dos chamados "brinquedos digitais" e a mudança drástica de comportamentos das novas gerações.

Em Portugal, a transformação digital acompanha este ritmo de forma bastante vincada. Dados recentes da rede EU Kids Online revelam que 85% das crianças e jovens portugueses, com idades compreendidas entre os 9 e os 17 anos, já utilizam regularmente ferramentas de inteligência artificial generativa. Este valor coloca o país cerca de 10 pontos percentuais acima da média europeia, demonstrando que a tecnologia já assumiu um papel central no quotidiano dos mais novos. A utilização divide-se, em grande parte, entre o apoio a tarefas escolares e, de forma surpreendente, o suporte emocional e pessoal, reportado por um em cada quatro jovens.

Esta mudança de paradigma reflete-se também de forma muito direta nas tendências de pesquisa e nos interesses das crianças. A Kaspersky aponta para uma descida significativa nas pesquisas por plataformas de streaming de vídeo passivo e para uma subida inédita do interesse por plataformas educativas, como o Google Classroom, o Duolingo e diversas ferramentas de programação. Estes indicadores comprovam que a tecnologia digital, quando devidamente acompanhada, deixou de ser vista exclusivamente como um meio de entretenimento para se afirmar como uma forte aliada na aquisição de conhecimento.

Fabio Assolini, Investigador Principal de Segurança da Kaspersky, sublinha que o enredo do novo filme da Disney/Pixar é uma excelente metáfora para a realidade atual. Com os brinquedos a assumirem formatos cada vez mais virtuais, a transição é vista como natural, mas exige uma vigilância redobrada. A mensagem central do estudo indica que a tecnologia não deve ser encarada como a grande vilã da história; pelo contrário, o segredo passa por sublinhar a importância do papel ativo dos pais na orientação das crianças, substituindo a simples proibição por um diálogo aberto.

 

Para garantir uma convivência equilibrada e segura com as ferramentas tecnológicas, os especialistas em cibersegurança deixam algumas recomendações cruciais às famílias. É fundamental promover uma comunicação transparente sobre os perigos online, acompanhar de perto a atividade digital através de ferramentas de gestão de tempo, dar o exemplo diário com hábitos digitais saudáveis e alertar ativamente para potenciais esquemas fraudulentos. Quando a educação acompanha o acesso aos dispositivos, o tablet deixa de ser uma ameaça e transforma-se num ambiente seguro e enriquecedor.

Classifique este item
(0 votos)
Ler 8 vezes