A Randstad divulgou um estudo global que traz uma perspetiva disruptiva sobre o impacto da Inteligência Artificial no mercado de trabalho. Ao contrário da narrativa comum focada na substituição de humanos, os dados revelam que a tecnologia está a gerar uma procura explosiva por talento técnico especializado para construir e sustentar a infraestrutura física indispensável ao seu funcionamento. Esta "revolução digital" tem, na verdade, uma base profundamente física que depende de especialistas em centros de dados e sistemas de energia para se concretizar.

A análise de mais de 50 milhões de anúncios de emprego mostra que, desde o final de 2022, a procura por engenheiros de AVAC - vitais para o arrefecimento de infraestruturas críticas - cresceu 67%, enquanto as vagas para técnicos de robótica dispararam 107%. Este cenário criou uma inversão histórica no mercado global, onde atualmente se demora mais tempo a contratar um profissional de ofícios especializados do que um de serviços. Com o envelhecimento da população, o pipeline de talento está sob pressão extrema, já que por cada 100 jovens que entram no setor da manufatura, 102 abandonam a profissão.

O estudo intitulado "Escassez de talento: o papel da IA na promoção da equidade" alerta ainda para uma distribuição desigual dos benefícios da tecnologia. Existe um fosso de género significativo, com 71% dos homens a afirmarem ter competências em IA contra apenas 29% das mulheres. No campo geracional, o cenário é igualmente fraturado: menos de um quarto dos Baby Boomers teve oportunidade de usar IA no trabalho, em contraste com quase metade da Geração Z, o que ameaça a retenção de talento sénior em mercados maduros.

Raul Neto, CEO da Randstad Portugal, destaca que a solução para a escassez de talento no tecido empresarial nacional passa obrigatoriamente pela democratização do acesso à formação tecnológica. Integrar mulheres e gerações mais seniores nesta transição não é apenas uma questão de justiça social, mas um imperativo de sobrevivência e crescimento económico. A Randstad recomenda que os líderes empresariais adaptem as suas estratégias, tratando os ofícios técnicos como carreiras de topo que exigem a mesma aprendizagem contínua que os trabalhadores do conhecimento.

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