De acordo com os investigadores, estas burlas deixaram de ser casos isolados de perfis falsos para se tornarem operações estruturadas e altamente organizadas, que exploram a vulnerabilidade emocional e a solidão das vítimas.
A análise quantitativa destaca que o foco dos burlões recai sobre plataformas com grandes bases de utilizadores, como o Instagram, Snapchat e Facebook. O objetivo inicial é quase sempre retirar a vítima da plataforma oficial de encontros e levá-la para canais de mensagens privadas, onde o controlo e a monitorização das redes sociais são inexistentes. O estudo sublinha ainda o papel crescente do OnlyFans nestas conversas clandestinas, frequentemente associado a esquemas de falsificação de identidade e revenda de conteúdos para adultos.
No topo das aplicações de encontros mais visadas encontram-se o Tinder e o Match, devido à sua escala massiva que facilita o acesso a novas vítimas. Os criminosos utilizam ferramentas avançadas, incluindo imagens geradas por Inteligência Artificial e guiões de conversação pré-definidos, para construir uma relação de confiança rápida e profunda. Esta manipulação é o alicerce para a fase seguinte do golpe, que invariavelmente envolve pedidos de dinheiro ou extorsão.
A monetização destas fraudes ocorre através de métodos de difícil rastreio, como cartões de oferta, criptomoedas ou transferências bancárias diretas. Além do prejuízo financeiro, o estudo alerta para o aumento da "sextorsão", onde imagens íntimas (reais ou manipuladas por IA) são usadas para coagir as vítimas. Um dado particularmente preocupante é a reiteração do ataque: os dados das vítimas são frequentemente vendidos a outros grupos que prometem, falsamente, a recuperação dos fundos perdidos.
Para os utilizadores, os especialistas recomendam uma postura de "zero trust" digital. É fundamental desconfiar de pedidos rápidos para mudar de plataforma de conversação e nunca enviar dinheiro ou bens a quem não se conhece pessoalmente. A pressa em declarar amor ou a ocorrência de emergências financeiras súbitas são sinais de alerta clássicos que devem interromper imediatamente qualquer interação. A consciencialização sobre estes padrões sazonais é a primeira linha de defesa contra o impacto psicológico e financeiro destas redes.
Em suma, a proteção contra as burlas românticas exige um equilíbrio entre o desejo de ligação social e o rigor na segurança digital. Evitar clicar em links desconhecidos e manter a privacidade de conteúdos íntimos são passos essenciais para navegar nas plataformas de encontros com segurança. Como o estudo demonstra, o crime organizado está atento ao calendário emocional dos utilizadores, pelo que a prudência deve ser redobrada nestes meses de maior exposição online.