Com o arranque da entrega das declarações de IRS agendado para o dia 1 de abril, a ESET emitiu um sério alerta para a proliferação de campanhas fraudulentas. Aproveitando a urgência e a sensibilidade deste período fiscal, os cibercriminosos intensificam os seus ataques para enganar os contribuintes. Segundo os dados de telemetria da empresa europeia de cibersegurança, o phishing já representou um em cada quatro ataques digitais em Portugal durante o ano de 2025, evidenciando o perigo real que circula através de e-mails, SMS e chamadas falsas.

A grande preocupação para a campanha de 2026 reside na sofisticação das ameaças e no uso de novas tecnologias. As previsões da ESET indicam que os atacantes estão a recorrer cada vez mais a ferramentas de Inteligência Artificial para redigir mensagens e clonar páginas oficiais com uma precisão assustadora. Esta evolução técnica torna extremamente difícil para o cidadão comum distinguir uma comunicação legítima da Autoridade Tributária de uma burla, o que pode resultar num aumento significativo do número de vítimas nas próximas semanas.

Entre os principais esquemas identificados para esta época destacam-se as falsas promessas de reembolso, onde as vítimas são encaminhadas para portais fraudulentos desenhados para roubar credenciais e dados bancários. Paralelamente, multiplicam-se as tentativas de roubo de acesso ao Portal das Finanças e a promoção de supostos "truques fiscais" nas redes sociais. Há ainda o perigo dos falsos serviços de apoio, em que perfis fictícios prometem ajuda na submissão da declaração apenas para usurpar informação sensível ou cobrar valores indevidos.

Para evitar cair nestas armadilhas, é crucial estar atento a sinais de alerta como contactos não solicitados, mensagens com tom de urgência ou ameaças de penalização, e pedidos de métodos de pagamento não convencionais. Ricardo Neves, Responsável de Comunicação e Marketing da ESET Portugal, sublinha que quem delega a contabilidade a terceiros deve ter cuidados redobrados com a partilha de credenciais. O responsável avisa também os profissionais que gerem múltiplas contas para a necessidade de adotarem práticas rigorosas de proteção, dado que a concentração de informação fiscal os torna alvos altamente apetecíveis.

A mitigação destes riscos exige uma postura proativa e desconfiada por parte dos utilizadores. É fundamental evitar clicar em links ou abrir anexos suspeitos, confirmando qualquer notificação diretamente no Portal das Finanças. A ativação da autenticação multifator e a utilização de software de segurança com proteção anti-phishing são camadas de defesa indispensáveis. A própria Autoridade Tributária reforça o aviso de que nunca envia links por e-mail ou SMS para solicitar a inserção de dados pessoais ou a realização de pagamentos, sendo o portal oficial o único canal para tratar destas obrigações.

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