A Fortinet divulgou o seu relatório global "2026 Global Cybersecurity Skills Gap Report", lançando um sério aviso ao mercado tecnológico: as contratações na área da cibersegurança estagnaram. Este travão no recrutamento surge num dos momentos de maior risco digital de que há memória, impulsionado pela sofisticação das ameaças e pela rápida adoção da Inteligência Artificial por parte de grupos cibercriminosos. A falta de profissionais qualificados continua a ser o elo mais fraco das empresas, comprometendo diretamente a resiliência das infraestruturas de TI.

Os custos associados a estas debilidades são avassaladores e continuam a crescer de forma alarmante. Segundo os dados recolhidos pela tecnológica, 86% das organizações globais registaram pelo menos um incidente de segurança grave nos últimos 12 meses. O impacto financeiro disparou drasticamente, com 52% das empresas a admitirem que as violações de dados custaram mais de 1 milhão de dólares (um aumento visível face aos 38% registados em 2021). A gravidade da situação já subiu às administrações, resultando em penalizações severas para metade dos executivos seniores após as falhas.

A Inteligência Artificial surge nesta análise como uma faca de dois gumes para o tecido empresarial. Se por um lado 91% das organizações já utilizam ou testam defesas automatizadas por IA para aumentar a eficiência operacional, por outro a tecnologia introduz vulnerabilidades que os conselhos de administração não compreendem totalmente - apenas metade está ciente destes novos riscos. A defesa contra ataques informáticos avançados potenciados por IA adversária já se consolidou como uma das principais preocupações para 44% dos líderes.

Esta transformação tecnológica está a desenhar uma nova e profunda lacuna de competências. Cerca de 60% dos inquiridos aponta que o maior desafio atual no recrutamento reside na busca por talento com experiência específica em IA, com foco no desenvolvimento de modelos, automação de segurança e governação. Apesar da urgência óbvia em expandir as defesas, quase metade dos responsáveis de TI (49%) confessa enfrentar barreiras corporativas e grandes dificuldades em obter a aprovação regulamentar e orçamental para contratar novos colaboradores.

Para contornar o bloqueio no recrutamento externo, as organizações estão a focar-se no upskilling e reskilling das suas próprias estruturas. Prova disso é que 92% das empresas estão agora dispostas a financiar as certificações de cibersegurança dos seus quadros atuais, um crescimento notável em relação aos 73% registados no ano anterior. Alinhada com esta necessidade, a própria Fortinet reforçou o investimento no seu Training Institute, mantendo o compromisso de formar um milhão de pessoas a nível global para mitigar riscos e fomentar uma cultura organizacional consciente.

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