O estudo sublinha que a superação da chamada "fadiga de pilotos" é o grande obstáculo atual do mercado global. Apenas 25% das empresas inquiridas conseguiram transitar quarenta por cento ou mais dos seus projetos-piloto de Inteligência Artificial para a fase de produção e implementação real, embora a maioria acredite que atingirá esse patamar muito em breve. Hervé Silva, Partner de AI & Data da Deloitte, alerta que este é o momento decisivo para uma verdadeira "integração de fundo" e que as lideranças empresariais devem apostar numa implementação em larga escala com visão a longo prazo, sem nunca descurar os indispensáveis pilares da regulação e governação responsável.
Uma das tendências mais marcantes destacadas no documento é a ascensão exponencial da Agentic AI (Agentes Autónomos de IA). Atualmente, quase 75% das organizações inquiridas planeiam implementar este tipo de inteligência artificial autónoma nos próximos dois anos, um contraste gritante face aos atuais 23% que declaram uma utilização moderada da mesma. O mercado português acompanha este forte interesse internacional, com 47% das empresas nacionais a preverem um impacto profundo dos agentes autónomos num horizonte de três anos. No entanto, este crescimento rápido esbarra na falta de regulamentação interna, já que apenas 21% das empresas a nível global garantem possuir modelos de governação suficientemente maduros.
Para além da vertente analítica, o estudo aponta para o crescimento da relevância estratégica da IA Física, especialmente aplicada a sistemas autónomos, automação industrial e robótica avançada. Esta nova vaga tecnológica deverá alcançar taxas de adoção próximas dos 80% nos próximos dois anos, com especial foco nos setores da logística e manufatura. Em paralelo, nota-se uma crescente preocupação com a soberania digital, com 77% das empresas mundiais a terem o país de origem dos fornecedores como fator decisivo na escolha das suas soluções. Em Portugal, a tendência confirma-se, sendo que apenas 27% das organizações consideram a proveniência da tecnologia um fator irrelevante.
Apesar de todas as promessas tecnológicas, o capital humano mantém-se como o maior desafio prático. A falta de competências dos colaboradores continua a ser o principal entrave à adoção da IA. O estudo alerta que, apesar de 82% das organizações esperarem automatizar a totalidade de certas funções nos próximos três anos, 84% das empresas inquiridas ainda não iniciou o processo obrigatório de redesenho dos seus cargos laborais ou dos seus modelos de trabalho diários, preferindo investir primeiramente na formação básica e imediata das suas atuais equipas.