A cada ano que passa, entre setembro e novembro, há uma batalha épica que se trava entre dois verdadeiros titãs e que leva milhões de fãs em todo o mundo a fazer sempre a mesma pergunta: FIFA ou PES, qual é o melhor?

Numa batalha que se adivinha mais equilibrada do que a do ano passado, a EA SPORT preparou uma série de novidades e avanços tecnológicos com a promessa de criar o simulador de futebol mais realista até à data. Será que FIFA 15 está à altura de cumprir essa promessa? É o que vamos perceber ao longo da análise que se segue.


A versão de FIFA 15 que nos foi disponibilizada pela Electronic Arts, está apenas em inglês, francês e holandês, pelo que alguns termos utilizados nesta análise serão apresentados em inglês para evitar uma tradução menos correta.

O que há de novo em FIFA 15

Para começar, damos destaque à Liga Portuguesa que, nesta nova edição de FIFA, surge totalmente licenciada, com os nomes reais dos 18 clubes que competem no principal escalão do futebol português. Quer isto dizer que, por exemplo, o C. Funchal e o V. Barcelos de FIFA 14 são agora o Marítimo SC e o Gil Vicente FC em FIFA 15. Também na Liga Portuguesa, passamos a receber a informação dos golos e outros acontecimentos importantes que ocorrem nas partidas que são disputadas à mesma hora da nossa, tal como acontecia em FIFA 14, mas só nas principais liga europeias.



FIFA 15 marca também a introdução dos 18 clubes da Süper Lig turca e dá á Barclays Premier League, a liga mais jogada em todos as edições da série FIFA, uma revisão de autenticidade. Os fãs vão poder jogar FIFA 15 em todos os 20 estádios da Barclays Premier League, com cânticos capturados em eventos ao vivo na temporada 2013/14, e novos comentários - as partidas poderão ser exibidas através de uma nova câmara que recria, quase na perfeição, uma transmissão televisiva. A juntar a tudo isso, mais de 200 novos rostos de jogadores realistas foram digitalizados em 3D e processados para FIFA 15.

youtube.com/watch?v=gd8wMiprxKM

Os guarda-redes vão agora agir como os seus homólogos do mundo real, graças a uma nova inteligência artificial que lhes permite antecipar os remates e passes, mover-se com consciência posicional, e exibir uma série de novas animações.

Não é uma novidade nos jogos FIFA, mas após uma notada ausência em FIFA 14, o modo de torneio está de regresso, permitindo-nos criar as nossa próprias competições para jogar com amigos.

As versões de FIFA 15 para PC, XBox One e PS4 são alimentadas pelo motor de jogo Ignite, que traz um novo nível de realismo para os estádios de futebol.


Jogabilidade

Os jogadores menos atentos, poderão dizer que a jogabilidade de FIFA 15 é praticamente igual a FIFA 14. No entanto, os verdadeiros fãs do jogo vão encontrar diferenças que são bem visíveis, tanto no comportamento dos jogadores em campo, como no ritmo de jogo que está mais acelerado. Se em FIFA 14 os jogadores demoravam algum tempo a reagir aos passes, perdas de bola e movimentações dos adversários, em FIFA 15 essa questão está muito melhor. Os jogadores estão mais autónomos quando não os controlamos, reagindo de forma mais natural e acertada, e os que controlamos são mais rápidos a executar as ações. Tudo isso contribui para um ritmo de jogo mais acelerado e para ações menos previsíveis.

Na verdade, a imprevisibilidade do futebol é algo que foi transportado para FIFA 15, pois tão depressa pode sair um remate que resulta num golo espetacular, como um falhanço à boca da baliza que envia a bola para a bancada. Embora os atributos dos jogadores continue a ter uma grande importância, o jogo está muito menos mecanizado. Nas edições anteriores de FIFA, havia como que uma fórmula para chegar ao golo, ou seja, jogadas que repetíamos e que nos garantiam sucesso. Em FIFA 15, dificilmente conseguimos fazer duas jogadas iguais, pois os passes, o comportamento da bola, as condições do relvado e a forma como os adversários abordam cada lance, tornam cada momento único. Na verdade, a inteligência artificial melhorada dos jogadores contribui bastante para esta dificuldade acrescida, e isso nota-se principalmente na sua abordagem mais agressiva e acertada, principalmente nos níveis de dificuldade mais elevados.

youtube.com/watch?v=TnTYVT6lwBc

Para além disso, como já referimos, os remates nem sempre saem da forma que desejamos. Se em FIFA 14 conseguimos fazer remates extraordinários sem qualquer preparação, em FIFA 15 a bola só sai perfeita se as condições o permitirem. O pé com que o jogador remata, a sua posição e a sua condição física, são algumas das condicionantes. Não está perfeito, pois ás vezes ainda surgem remates que desafiam as leis da física, mas este sistema evoluiu bastante, tornando o jogo mais real.

Outra questão que se tornou mais real foi o tempo de salto dos jogadores e tentativas de corte. Agora, se dermos a ordem demasiado cedo ou o jogador não estiver numa posição correta, vemos os jogadores a falharem a bola, por exemplo, para a cabecear após um cruzamento ou a tentar cortar um passe em profundidade do adversário.

Se o comportamento dos jogadores de campo melhorou bastante, é nos guarda-redes que encontramos a maior evolução. Eles estão agora mais ativos dentro de campo, agem de forma mais natural e refletem, muitas vezes, os movimentos dos seus congéneres da vida real. Agora podemos ver o guarda-redes a correr para evitar um canto, a posicionar-se para encurtar o ângulo, a corrigir o posicionamento quando a bola sofre um ressalto, assim como a falhar a saída num pontapé de canto ou a sofrer golos inacreditáveis.

youtube.com/watch?v=I6AjwpwxhoQ

Modos de jogo

O nosso modo favorito, o "Ulimate Team", pouco mudou em relação à edição anterior, mas ainda apresenta algumas novidade. Uma delas é o empréstimo de jogadores, que agora nos permite utilizar, durante algumas partidas, os jogadores que, normalmente, não estão ao alcance dos cofres de todas as equipas. Temos ainda as "Friendly Seasons", ou temporada amigáveis, que nos permitem desafiar os nossos amigos e comparar as nossas estatísticas com a deles, e "Concept Squads" onde podemos ensaiar equipas e o entrosamento entre os jogadores, mesmo antes de os comprarmos.

De resto, o modo mantém a mecânica que tinha em FIFA 14. Para quem não conhece o FUT, é um modo que nos permite criar a nossa própria equipa com jogadores que nos saem em pacotes de cromos de três níveis: ouro, prata e bronze. Nestes pacotes existem ainda cromos de treinadores e staff técnico, estádios, bolas, equipamentos e emblemas das equipas, e ainda várias cartas que nos permitem expandir os contratos dos jogadores, recuperar de lesões, melhorar atributos, etc. Podemos ainda comprar e vender cada umas destas cartas através do mercado de transferências, cujo sistema de pesquisa está agora mais completo.

youtube.com/watch?v=As8H4ZJyzrc

No modo Ultimate Team, começamos na divisão 10 e temos como objetivo garantir pontos suficientes para subir para divisão seguinte, ou até ganhar o título de campeão da divisão. Para tornar esta tarefa mais fácil, é necessário reunir um grupo de jogadores que tenham química entre si, ou seja, que tenham a mesma nacionalidade, que joguem na mesma liga, ou, ainda melhor, na mesma equipa. Obviamente que a qualidade dos jogadores também é importante, mas conciliar as duas coisas oferece uma grande vantagem. Entre a divisão 10 e a divisão 1, existem diferentes torneios para escolher, que nos garante uma maior ou menor quantidade de dinheiro (e outras recompensas) de acordo com a sua dificuldade.

De referir ainda que nas versões de FIFA 15 para XBox 360 e XBox One, estão disponíveis cartas de 55 jogadores lendários, onde podemos encontrar, por exemplo, Rui Costa, Luis Figo, Pauleta e Paulo Futre, ou até mesmo o Pelé.



No "Modo de Carreira" de FIFA 15, temos a oportunidade de lançar uma carreira como treinador ou como futebolista que, quando arrumar as botas, pode também eles iniciar uma carreira de treinador. Na segunda opção, temos a oportunidade de escolher o clube onde queremos jogar, criar um novo jogador de raiz com diferentes atributos técnicos e físicos, ou assumir o papel de um jogador que já existe.

A carreira de treinador está ligeiramente mais "personalizável" do que na edição anterior. Na criação do treinador que vamos ser, podemos definir o seu nome, nacionalidade e uma algumas caraterísticas físicas, visíveis posteriormente junto à linha lateral. Na personalização da carreira, e para além do clube que queremos representar, podemos escolher o nosso estádio (nos clubes cujo estádio não está presente no jogo, será um de vários estádios genéricos), atribuir-lhe um nome, fazer o sorteio da competições europeias caso a nossa equipa esteja apurada para alguma delas, escolher a moeda (euro, dollar, libra), e ainda atualizar os planteis de acordo com as últimas movimentações do mercado (necessária ligação à Internet).



Já iniciada a carreira, temos ao nosso dispor uma interface de utilizador que foi redesenhada para se tornar mais eficaz e permitir um acesso mais direto a cada uma das áreas, o que se confirma. A escolha dos jogadores e tática da equipa é agora algo que fazemos mais rapidamente, mas mantêm-se a constante chegada de mensagens dos olheiros e jogadores que querem mais minutos de jogo, que por vezes se tornam aborrecidas.

Um novo sistema de gestão de equipa dá-nos a oportunidade de personalizar até seis alinhamentos de equipa diferentes e alterar formações, táticas e papéis com base no próximo adversário. Este sistema também nos permite atribuir aos jogadores até cinco instruções de ataque e defesa, para cada uma das 10 posições. As instruções ditam o tipo de movimentação atacante que é executada e posicionamento defensivo que os jogadores irão adotar.



A área de transferências de jogadores também foi redesenhada, tornando a pesquisa de jogadores mais rápida e intuitiva. Mantém-se, e no nosso entender bem, a necessidade de eviar um olheiro para acompanhar o jogador que nos pode interessar, para que sejam apresentados os seus atributos. Já a área de negociação dos valores da transferência e contrato do jogador, é basicamente igual à que tínhamos no FIFA 14.

"Highlights of the Week" é uma experiência que aproxima o jogo da realidade. Aqui vamos encontrar vários desafios, que podem ser jogados como equipa em modo "Be a Pro", baseados em partidas que ocorreram na última semana. Dando um exemplo, no momento em que escrevemos esta análise, um dos desafios era jogar com o Atlético de Madrid contra o Valência, e recuperar de uma desvantagem de 3-0. Os desafios podem ser jogados em qualquer nível de dificuldade, sendo que os pontos de experiência que ganhamos dependem do nível selecionado.

Como já referimos, o "Tournament Mode" está de regresso. Aqui, podemos jogar a taça nacional de vários países, incluindo a Taça de Portugal, com a equipa que selecionamos.

Na experiência Online, temos à nossa disposição as "Seasons", ou temporadas, onde podemos enfrentar jogadores reais de todo o mundo, a solo ou em modo cooperativo com amigos, com o nosso clube de eleição. Temos ainda o "Online Friendly" que nos permite desafiar os nossos amigos para partidas amigáveis (ou nem por isso) que funcionam com uma espécie mini-liga.



No menu principal de FIFA 15 temos ainda a oportunidade de jogar os "Skill Games" que encontramos antes das partidas, e de selecionar "Learn to Play" e aprender algumas dicas que podem ser bastante úteis.


Gráficos e som

Como já referimos na área onde destacámos as principais novidades de FIFA 15, as versões de para PC, XBox One e PS4 do jogo são alimentadas pelo motor de jogo Ignite. Esta tecnologia deu à EA SPORTS a capacidade de criar gráficos e animações muito mais evoluídas, que nos leva muitas vezes a confundir o jogo com a realidade. Já as versões para XBox 360 e PS3 continuam a utilizar o motor de jogo Impact, o mesmo de FIFA 14, pelo que não se verifica uma grande evolução a nível gráfico.

Nas versões next-gen e PC, o ambiente de jogo apresenta pormenores fantásticos. Muito mais próximo da realidade, o relvado tem mais relevo e textura, e podemos até ver as chuteiras dos jogadores a afundar nele. Em muitos relvados são visíveis as imperfeições do relvado, como pequenas áreas onde a revela apresenta um tom diferente. Para além disso, com o decorrer do jogo, a relva vai-se degradando, principalmente quando chove. Isso não tem qualquer efeito prático no jogo, mas cria um bom efeito visual.

O equipamento dos jogadores é mais um dos elementos que reage às adversidades do jogo. Nas partidas à chuva, por exemplo, podemos ver as camisolas manchadas pela água. Outro promenor que consideramos fantástico nos jogos à chuva, é o "espirrar" da água quando a bola bate na relva ou quando os jogadores correm.

A recriação dos jogadores também está fantástica. Muitos dos jogadores das principais ligas europeias têm a cara e estatura fisisca praticamente igual à dos seus homólogos da vida real. Na Liga Portuguesa, isso só acontece com alguns jogadores que vieram da Inglaterra ou Espanha, como por exemplo Nani e Júlio César. Os outros jogadores apresentam o tom de pele, penteado e estatura correta, sendo alguns facilmente reconhecíveis pelos acessórios que utilizam.

youtube.com/watch?v=tfjML2B2aVo

No que às animações diz respeito, muitas delas são iguais às que vimos em FIFA 14, principalmente as celebrações dos golos e reações a falhanços. Embora existam algumas novidades nos jogadores de campo, são os guarda-redes que mais se destacam. Por estarem mais ativos, eles reagem com mais frequência e diversidade a grandes defesas e golos sofridos.

Quanto ao estádio e público nas bancadas, mantêm-se os modelos 3D com as cores dos clubes, a agitar as suas bandeiras, e a reagir aos golos que a sua equipa marca ou sofre.

No que ao som diz respeito, também verificamos alguma evolução nos efeitos sonoros que envolvem cada partida. Se alguns efeitos sonoros que se ouvem quando um jogador pontapeia a bola e ela bate com estrondo na barra ou nos painéis publicitários por trás da baliza, estão ligeiramente melhores, é mesmo a reação do público que merece o nosso maior elogio. Os cânticos que se ouvem do principio ao fim de cada partida, principalmente na Liga Inglesa, têm o poder de nos deixar arrepiados. Para além disso, existe uma reação natural a cada momento do jogo, como por exemplo uma grande exaltação quando surge um contra-ataque ou remate perigoso. Na Liga Portuguesa também podemos ouvir cânticos facilmente reconhecíveis nos jogos do Benfica, Sporting e Porto.

Os comentários não evoluíram muito, mas é com agrado que ouvimos falar de eventos mediáticos, como o destaque a transferências que ocorreram durante o Verão. De qualquer forma, mantém-se a repetição das mesmas expressões ao longo das partidas, algo que já nos habituamos nos jogos FIFA.

Em relação à banda sonora de FIFA 15, é bastante diversificada e traz-nos temas de artistas dos quatro cantos do mundo. Desde os brasileiros Emicida feat. Rael, aos alemães Milky Chance e ao sueco AVICII, existe uma lista para todos os gostos.


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Conclusão

Voltando à questão que foi levantada na introdução desta análise, consideramos que FIFA 15 é, sem dúvida alguma, o simulador de futebol mais realista até à data. Para isso contribuem as melhorias realizadas na jogabilidade, principalmente na inteligência artificial dos jogadores, nas sua reação a cada momento do jogo e nos guarda-redes que ganharam uma nova vida, bem como os efeitos visuais que evoluíram a olhos vistos no PC e consolas de nova geração.

Pelo que vimos, PES 2015 terá as suas armas para lutar com FIFA 15 pelo título de melhor simulador de futebol, mas consideramos que FIFA continua a ser o melhor para quem procura uma experiência mais completa e mais ligada à realidade.

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Ler 7167 vezes Modificado em Out. 17, 2014
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