A nova unidade em Setúbal aposta fortemente na convergência entre engenharia e tecnologias digitais, com enfoque em projetos de investigação aplicada e inovação tecnológica. Entre as áreas prioritárias encontram-se a conceção de plataformas físicas de voo customizadas — nomeadamente drones — e a criação de sistemas inteligentes com aplicação em diversos sectores, desde a saúde à defesa, agricultura e gestão de território.
Um dos marcos desta inauguração é a apresentação do novo Laboratório de Processamento de Imagem Médica, coordenado por Miguel Guevara, docente e investigador do IPS. Este laboratório terá como missão o desenvolvimento de tecnologias de apoio ao diagnóstico clínico, com destaque para o tratamento e deteção precoce do cancro, assim como de outras doenças crónicas não transmissíveis. A iniciativa conta com a colaboração ativa das Unidades Locais de Saúde da Arrábida e de Almada-Seixal, com as quais foram assinados protocolos formais durante a sessão.
Na abertura do evento, a presidente do IPS, Ângela Lemos, sublinhou que mais do que uma nova infraestrutura, este é um novo capítulo na colaboração entre academia, ciência e comunidade. Destacou ainda o papel do Ensino Superior público como motor de desenvolvimento regional, reforçando o compromisso do IPS em estar ao serviço das pessoas e do território.
Ricardo J. Machado, presidente do Conselho de Administração do CCG/ZGDV, explicou que este polo surge naturalmente da crescente cooperação entre as duas instituições e poderá alavancar significativamente o trabalho em curso na região no domínio da biomedicina, com especial enfoque no processamento de dados, machine learning e imagem computacional.
Também os sistemas aéreos não tripulados (drones) terão um papel importante nas atividades da nova unidade, com aplicações civis e militares. Estão previstos desenvolvimentos ligados à agricultura de precisão, monitorização ambiental, combate a incêndios e até apoio à Defesa Nacional, nomeadamente através de colaborações já em curso com a Marinha Portuguesa.
Reconhecido como estratégico pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR-LVT), este novo polo foi contemplado com um financiamento de 608 mil euros. Teresa Almeida, presidente da CCDR-LVT, considerou o projeto um sinal claro da descentralização do conhecimento e da valorização de territórios com vocação transformadora, como é o caso de Setúbal. Sublinhou ainda a importância de reforçar as estruturas de ensino e investigação locais num momento em que a região se prepara para acolher grandes investimentos, como o futuro aeroporto.
Com esta inauguração, o IPS reforça a sua missão enquanto catalisador de inovação e conhecimento aplicado, e afirma-se como parceiro estratégico no desenvolvimento tecnológico da região e do país.
