Quando um hospital sofre um ataque informático, as consequências ultrapassam largamente a esfera digital e colocam vidas humanas em risco direto. Para combater esta ameaça crescente, nasceu o projeto português Rescueware, uma iniciativa conjunta que junta o INESC TEC, a InvisibleLab e a Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM). O objetivo central desta aliança passa por desenvolver e testar soluções inovadoras que garantam a proteção de dados clínicos e, acima de tudo, a rápida recuperação dos sistemas em caso de infeção por ransomware.

O setor da saúde tornou-se um dos alvos preferenciais dos cibercriminosos devido à sua dependência crítica das infraestruturas digitais para diagnósticos, prescrições e coordenação de cuidados em tempo real. A pressão imediata para restabelecer os serviços assistenciais, aliada à existência de infraestruturas tecnológicas muitas vezes envelhecidas e difíceis de atualizar, torna os hospitais particularmente vulneráveis. Em Portugal, o impacto desta realidade já foi sentido de forma severa, com ataques mediáticos que paralisaram operações críticas no Hospital Garcia de Horta em 2022 e na Fundação Champalimaud em 2019.

A grande inovação do projeto Rescueware reside na sua abordagem pragmática ao problema. As ferramentas tradicionais de deteção de ataques falham frequentemente ou agem de forma demasiado tardia, quando a informação já se encontra cifrada. Assim, a solução agora em desenvolvimento foca-se em conciliar a deteção precoce com mecanismos avançados que permitam a recuperação eficiente e total da informação comprometida. Esta capacidade de restaurar os dados rapidamente é vital para mitigar a paralisação dos serviços e eliminar a dependência do pagamento de resgates aos atacantes.

Na vertente prática, a colaboração entre as três entidades desenha um ciclo completo de investigação, desenvolvimento e aplicação no terreno. A equipa do INESC TEC é responsável por desenhar a arquitetura tecnológica de recuperação e deteção, cujos resultados serão posteriormente transformados em protótipos funcionais pela InvisibleLab. A validação destas tecnologias ocorrerá num ambiente hospitalar rigoroso e real, utilizando a ULSAM como unidade piloto para garantir que as soluções respondem de forma infalível às exigências de um cenário clínico sob ataque.

Com uma duração prevista de três anos e cofinanciamento garantido pela União Europeia através do Programa Regional NORTE 2030, o Rescueware vai além da simples engenharia de software. A iniciativa compreende a enorme importância do fator humano na cibersegurança, integrando no seu plano de ação diversas formações em "ciberhigiene" destinadas aos profissionais de saúde. Desta forma, o projeto promove uma resiliência digital robusta e holística, preparando os hospitais portugueses para enfrentar as complexas ameaças cibernéticas do futuro.

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Ler 173 vezes Modificado em Mar. 27, 2026
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