O hospital universitário Agostino Gemelli, em Roma, inaugurou esta semana uma nova terapia, em regime de ambulatório, para tratar os viciados em Internet, uma dependência que atinge cada vez mais jovens, que passam o dia mergulhados nas redes sociais, nos chats e nos videojogos, perdendo o contacto com a realidade quotidiana.

Estima-se que as pessoas mais atingidas pelo vício da Internet tenham entre 15 e 40 anos

“O vício da Internet está em vias de se transformar num problema corrente, podendo atingir cerca de 40 por cento dos internautas, de acordo com algumas sondagens”, indicou à AFP Federico Tonioni, o psiquiatra responsável pelo projecto.

Distúrbios de sono, alteração das noções de espaço e tempo, dificuldade de comunicar em público e episódios de ansiedade e depressão na ausência de Internet são alguns dos sintomas desta dependência, uma patologia identificada em 1995 pelo psiquiatra americano Ivan Goldberg, que estabeleceu uma equivalência entre este vício e o das drogas e álcool.

“Passo todo o tempo na Internet; só paro para comer e dormir”, confirma Marco, de 25 anos, um dos primeiros doentes de Federico Tonioni. “A coisa foi-se desenvolvendo pouco a pouco. Consagrava cada vez mais tempo ao Facebook, ao MSN e aos videojogos, até que isto passou a ser a minha única ocupação”, explicou o estudante de Economia que acabou por abandonar os bancos da faculdade, à custa da sua adição.

A ideia de voltar à sua vida de antes, quando ainda estava no curso e jogava futebol com os amigos, é um factor de grande stress para Marco, relata a reportagem da AFP. O simples facto de se afastar do computador para ir às consultas já é muito complicado de gerir.

“Estou viciado no ecrã, quero pedir ajuda mas não consigo”, escreveu por seu lado uma internauta sob o pseudónimo Inkognita no fórum online Niente Ansia [Nenhuma Angustia], criado por um psicólogo para ajudar quem se debate com o mesmo problema.

“Já não sei o que é ter uma vida normal. Para mim, a normalidade é um PC...”, escreve ainda a internauta Inkognita.

A terapia proposta pelo hospital Agostino Gemelli, única em Itália, é feita por etapas. Num primeiro tempo o psiquiatra examina, através de várias tarefas individuais, se o vício está ligado a uma outra doença psiquiátrica latente que requeira a toma de medicamentos.

Depois, os pacientes deslocam-se à clínica duas vezes por semana para sessões de uma hora e meia de terapia de grupo.

“A troca de emoções com outros pacientes é primordial na terapia”, explica Tonioni. “Estas sessões permitem aos doentes reaprenderem a comunicar. A Internet é um mundo virtual pleno de sensações, mas pobre em emoções. Na Internet as pessoas têm a ilusão de controlar os outros e a imagem que reenviam. E ninguém é traído pela sua imagem corporal”.

“Os mais jovens, que crescerem com a Internet, desenvolveram novas maneiras de pensar e de reaprender a realidade. Para muitos de entre eles, a ideia de dependência em relação à Internet é inconcebível. Eles consideram normal estar todo o tempo em linha”, inquieta-se Federico Tonioni.

Estima-se que as pessoas mais atingidas pelo vício da Internet tenham entre 15 e 40 anos.

 Fonte : Público
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